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Esses dias achei em casa o cd do Legião Urbana, A Tempestade Ou O Livro Dos Dias, de setembro/1996. Aliás, pra mim, esse é o último trabalho da banda, mas essas são questões outras…

Re-escutar essas músicas depois tanto tempo, confesso, foi uma experiência diferente, quase visceral, eu diria.
Só por estes únicos motivos:
- Foi o fim, não apenas de um grupo musical, mas de todos os sonhos de uma geração. Neste caso, costumo dizer, no campo sociológico, que depois de toda a ‘festa’ que houve até o final da década de 1970, a abertura política, recessão, e outros fatores criaram pessoas (eu, e todos aqueles nascidos nesta época de 1980) sem uma identidade própria. A Legião Urbana nos deu cara e coragem.
- Eu comprei o meu numa feirinha que teve no prédio onde estagiava. Na verdade, quem pagou foi a Alê (Oi Lê!), e eu fiquei algum tempo devendo (não me perguntem o quanto). Parece pouco tempo, se falarmos de números, mas 12 anos mudam muita coisa em nossas vidas.
Músicas como Soul Parsifal (em coautoria com Marisa Monte) até hoje são atuais e versos como “Eu tenho um segredo e uma oração / Vê que a minha força é quase santa / Como foi santo o meu penar / Pecado é provocar desejo / E depois renunciar” mostram como a arte reflete sempre o expectador, nunca o artista.
(Sim, eu me lembro do nosso amigo Bertolla, que -olhem só- gravou uma fita cassete com essa música em looping, e ouvia em seu novíssimo walkman o dia todo)
Outros tempos…
Nota Explicativa
A partir deste mês, sempre que alguma palavra aparecer com esta tonalidade, é porque está de acordo com o Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa de 1990.



