Pelo jeito, sou estuprado todos os dias…
Não entendeu? Então assista a esse do fabuloso Danilo Gentili:
Olhos
Se estou com os olhos fechados, é porque não quero ver; não quero sentir toda essa mágoa…
Solidão
Solidão
Só lhe dão
Sólido
Sol
Ó
Arquivado em: Blog | Tags: análise, closer, jude law, julia roberts, natalie portman
Esses dias fui comparado com o Dan, personagem de Closer (interpretado pelo ator inglês Jude Law).
A princípio nem dei muito importância à esse fato, uma vez que assisti esse filme há algum tempo (mesmo considerando-o um dos melhores já feitos).
Para quem não se lembra, Dan Woolf é aquele “escritor fracassado que ganha a vida escrevendo obituários para um jornal”.
Bom, aí que a coisa muda, não é mesmo?
Primeiro que não me considero um escritor. Esses são aqueles que vivem disso e são reconhecidos como tal, independentemente se produzem uma literatura boa ou não. (toma essa Paulo Coelho!)
Não é o meu caso, que diga-se estou ótimo na profissão que escolhi.
Outra coisa que não sou é fracassado. Mesmo que algumas pessoas chatas do passado, mesmo se passando por outros, vez ou outra me enviem comentários singelos do tipo:
“Meu, quem vc pensa que é, um crítico?
Vc não passa de um pobre coitado sem ninguém que mora no JB.Se enxerga!”
Esse, assim como os anteriores, se você autor(a) não sabe, primeiro que é uma mula, segundo eu tenho como saber até o número de série do micro que você utilizou.
Mas voltando ao filme/personagem…
Li em algum lugar que ele “busca a cada esquina um amor para toda vida, e mesmo que encontre, nunca deixa de procurar”.
É o que vemos no filme, pois cerca de um ano depois de se conhecerem (Alice [Natalie Portman] e Dan), publica um livro baseado na vida desta, com um relativo sucesso diga-se. Logo em seguida conhece a fotógrafa Anna (Julia Roberts) com quem acaba tendo um affair que se transformaria em caso somente após outro ano, na exibição das fotos de Anna.
O que aconteceu? Simplesmente, o amor para toda vida dele deixou de ser uma para ser a outra. Quase como se sua busca incessante, o seu desejo máximo, fosse simplesmente ele mesmo.
Vejam como é o último diálogo deles no filme:
- Aonde vai?
- Cigarros.
- Mas está tudo fechado.
- Vou ao terminal.
- Quando eu voltar, por favor, fale a verdade.
- Por quê?
- Porque estou viciado nela.
- Porque sem ela somos animais… Confie em mim.
- Não te amo mais.
- Desde quando?
- Agora.
- Eu não quero mentir… Não posso contar a verdade, então, está tudo acabado.
- Não importa. Eu te amo. Nada importa.
- Tarde demais. Eu não te amo mais…
…Adeus.
Complicado, não?
Definitivamente, tudo o que não preciso neste momento, é que me analisem…
Fato
Se eu contasse todas as vezes em que falo ou digito a frase “você não precisa me dar explicações”, já teria chegando em um valor enorme…
Arquivado em: Opinião | Tags: aeiou, celular, motorola, nokia, operadora, review
Na briga pela preferência dos usuários de telefonia celular, nessas últimas semanas vimos surgir mais uma operadora, a æiou, que além do nome, se diferencia principalmente pelos preços praticados em seus serviços.
Claro que nem tudo são flores, por isso foram disponibilizados inicialmente 10.000 chips para beta teste, e ontem (23/ago) recebi o meu.
Levantei alguns pontos dessa experiência, com a nota entre parêntesis:
Site (7,5)
É diferencial dessa operadora, o uso maciço das ferramentas web para divulgação e contato com seus clientes. Dessa forma, o portal atende àquilo que é proposto, exceto que é totalmente compatível com Internet Explorer! E nós usuários do Mozila Firefox, como ficamos?
Também é importante ressaltar que se você, assim como eu, é usuário de Linux, esqueça. Todos sabemos que Flash e Linux não são melhores amigos.
Aqui no laboratório 1, adotei a solução de usar o ie4linux, voltado a criar o ambiente do IE6 para desenvolvedores em ambiente Linux. Até agora tem funcionado a contento.
Atendimento (9,0)
A única vez em que precisei conversar com os caras, bem antes do meu kit chegar, atenderam ao primeiro toque, e pasmem, direto com o funcionário. Nada de gravação, música de espera, nada de tecle a ‘fórmula da molécula de cafeína‘ para ser atendido. Assim, pá-pum!
Após a confirmação dos meu dados, o rapaz respondeu exatamente o que queria saber. Resta saber se eles vão sustentar essa prática à medida que o universo de usuários crescer, etc.
Rede (5,0)
Aí é que a porca torce o rabo, porque simplesmente não foi possível usar 100% da capacidade da linha. Nos testes, usando mais de um aparelho, o sinal ficou em torno de 20% a 30%, chegando a picos de 45%. Nos lugares cobertos a recepção foi sofrível. Tanto que fui obrigado a estar sempre com minha linha pessoal, caso precisasse. Também por esse ‘problema’ minha bateria perdeu boa parte do seu rendimento normal. Uma vez que o aparelho tenta buscar a melhor recepção, aumenta também o consumo.
Também não consegui, nem com reza brava, enviar e/ou receber mensagens SMS. Nem pelo site (talvez pelos problemas descritos acima). Assim que criar vergonha na cara, informo o andamento dessa solicitação junto ao suporte.
Preço (10)
Se no meu plano Claro Estilo 200, eu pago R$ 0,52/minuto (na Tim, o valor no pré é de R$ 0,79/minuto para favoritos) para falar com celulares da mesma operadora, aqui meu custo ficou em R$ 0,14/minuto. O valor cai para R$ 0,07/minuto, se eu cadastrar o outro número æiou como favorito.
Não preciso dizer mais nada, não é?
Segue uma tabela dos preços praticados e o equivalente no mercado:
Celular para celular na mesma operadora
æiou: R$ 0,14/min
Claro Toda Hora: R$ 1,39/min
Tim Meu Jeito: R$ 1,36/mim
Celular para celular de outra operadora
æiou: R$ 0,63/min
Claro Toda Hora: R$ 1,39/min
Tim Meu Jeito: R$ 1,36/mim
Celular para fixo
æiou: R$ 0,28/min
Claro Toda Hora: R$ 1,39/min
Tim Meu Jeito: R$ 1,36/mim
Proposta (10)
A experiência na essência, é ótima. E imagino que vá ficar melhor quando tivermos a tão sonhada portabilidade numérica. Na economia de mercado em que vivemos, temos sempre que buscar os serviços que melhor nos atendem, pelo menor custo possível. Nesse contexto e até agora, o saldo é positivo.
Média final: 8,3
Para quem quiser acompanhar os beta testes, basta me seguir pelo twitter, ou a tag #aeiou.
OBS: Os testes foram realizados nos bairros de Vila Medeiros, Santana e Pompéia, na cidade de São Paulo, em diversos horários do dia e da noite. Os aparelhos utilizados foram o Nokia N95 clássico, e o Motorola F3 ‘motofone’.
Arquivado em: Blog | Tags: aconteceu comigo, aniversário, los hermanos, música
Nunca passei por aqui, mas hj resolvi deixar algumas palavrinhas nesta casa!
Queria mto mto agradecer meus 28 anos, que foram completados com mta alegria por mim!
Tb vou deixar uma letra de uma música dos Los Hermanos, que me faz arrepiar todas as vezes que escuto, acho profunda e ao mesmo tempo simples… Nem sempre perdemos alguém para sempre…podemos perder alguém por um minuto, um dia….
“Quem Sabe”
Quem sabe o que é ter e perder alguém?
Quem sabe o que é ter e perder alguém?
Quem sabe o que é ter e perder alguém?
Sente a dor que eu senti
Quem sabe o que é ver quem se quer partir
E não ter pra onde ir
Faz tanta falta o teu amor…
Te esperar…
Não sei viver
Sem te ter não dá mais pra ser…
Assim
Quem sabe o que é ter sem querer pra si?
Não quer ver outro em mim
Não fala do que eu deveria ser
Pra ser alguém mais feliz
Faz tanta falta o teu amor te esperar
Não sei viver sem te ter não dá mais pra ser assim
Por Alessandra
Arquivado em: Artigo | Tags: cascão, cebolinha, gibi, jovem, magali, mônica, teen, turma
Hoje dei minha passada mensal lá na banquinha para ver as novidades da nona arte, quando vi pela primeira vez a nova publicação dos Estúdios Maurício de Souza (pela Planet Mangá/Panini Comics), o mangá (por que não?) Turma da Mônica Jovem. 120 páginas por módicos R$ 6,40 5,90.
Não que eu seja moralista demais, ou tradicionalista demais, mas eu não gostei do resultado final.
A proposta foi inicialmente, boa. Ora, buscar novos leitores do século XXI é ótimo. Ainda mais se levando em conta que a turma esteve em estado criogênico nos últimos 40 anos, e seus leitores, a maior parte deles, ao mesmo tempo em que cresceram lendo essas estórias, muitas vezes se viam (e veem) nelas.
Eu já sabia que 120% do universo iria mudar, até me preparei para isso. Só que o resultado foi exatamente: mudaram as personagens, que agora possuem temática mais adulta, mas os roteiros são os mesmos infantis de sempre. Tudo isso misturado à tentativa de repetir o estilo e a métrica narrativa oriental.
Levantei alguns pontos para tentar subsidiar meu ponto de vista:
Formato
Capa em papel cartão, lombada quadrada e recheio em papel jornal. Tudo tranquilo neste ponto, exceto que o gibi/mangá NÃO é lido da direita para a esquerda, no estilo oriental. Pra mim, este é o primeiro ponto que o leitor é subestimado.
Eles até colocaram um texto, bonitinho, curtinho, para deixar explicadinho para o leitorzinho burrinho:
“QUÊ?!!
Calma, Mônica!!!Ninguém vai ler do lado errado!
Embora o mangá japonês seja lido no estilo oriental, resolvemos deixar a história com o sentido de leitura ocidental… Afinal, apesar do estilo mangá, ainda é estilo Turma da Mônica e ninguém quer ver a baixinha nervosa, não é? Ou melhor… a Mônica nervosa…”
Personagens
Apesar de aparentarem seus ‘quase-20′, na essência, continuam os mesmos, e neste caso, é o que sustentam a razão da mudança. Como comparação, imaginem a turma do Rolo, Tina, Pipa, Zecão, etc. Aqueles que já foram hippies? Então, é isso.
É chato todo aquele discurso politicamente correto, de não falar errado (Cebolinha o faz poucas vezes), de tomar banho (não é Cascão?), da alimentação balanceada e saudável (essa eu deixo para advinharem).
Arte
Como eu disse antes, não sou moralista. Acho que ‘tudo o que se concorda errado não está’. Entretanto, precisava desenhar as personagens tão cheia de curvas? Logo no início, cheguei até me assustar na cena quando o Sr. Souza, pai da Mônica, entra de uma vez no quarto dela, ela que tinha acabado de acordar, está de babydoll, se assusta e joga o coitado do Sansão nele (é a única vez que o coelho aparece). Noutra cena, aparece enrolada na toalha…
Roteiros
Aqui é onde, a meu ver, ficaram as maiores falhas. Estória simples de pouca profundidade e andamento previsível. A todo o momento as personagens literalmente ‘falam’ os objetivos dos editores com a mudança, o que foi mudado e o porquê.
Imagino que o jovem de hoje (a criança também), veja o mundo muito mais amarrado do que nós víamos há 20 ou 30 anos. Isso é fato e não temos como mudar isso. Faltou desenvolver o urbano, a cibercultura, a teia de relações e muito mais pontos fundamentais.
E para não dizer que não falei de flores, o que mais gostei na publicação foi a personagem Maria, a irmã do Cebolinha, antes um bebê, agora tem seus 6 ou 7 anos. Engraçado, porque até ontem, a turma toda tinha essa idade…
Mesmo assim, recomendo acompanharem essa nova empreitada do Maurício de Souza. Tem muita coisa que pode ser melhorada, verdade. Como edição inicial é natural que as coisas levem um tempo, e a audiência comece a ditar os padrões de como tudo deve acontecer.
Por isso, que está fazendo aí? Reserve a sua com seu jornaleiro antes que acabe!
Frase do messenger dela
Se for embora, leve um beijo meu.
Se ficar, ganha um beijo meu!
Batalhas ganhas,
Batalhas perdidas
Ai que bom!
Dia cinza
Esses dias sãos os melhores. Simples assim.
Pés
Lembrei-me que é algo em que reparo bastante. Pés magricelas, cheio de veias, marcas e afins assustam demais. Os meus? Razoáveis.
Arquivado em: Literatura | Tags: carta, conto, ordem, suspense
Texto antigo, um dos primeiros que escrevi, em janeiro de 2002.
Se fosse hoje, faria tudo diferente, a começar pelo título. De qualquer forma, foi publicado em partes no meu antigo blog, com as idéias surgindo, os comentários dos leitores e afins.
UMA OUTRA ORDEM (MAS PODERIA TER AINDA OUTRAS)
Janeiro/2002
Mais uma manhã, assim como inúmeras outras, mas de alguma forma eu sabia que hoje iria acontecer uma coisa diferente, a ponto de mudar minha vida, de colocá-la de pernas pro ar…
Levantei-me como de costume e fui logo tomar meu banho, ao som de um rock bem pesado, daqueles que eu gostava muito e os vizinhos odiavam. Durante o café, notei uma carta próxima à porta da sala, como se alguém a tivesse jogado pela fresta da porta, quase num segundo, derrubei o café no colo e fui pegar a carta (o que me ocasionou em um atraso e algumas queimaduras, mas fazer o quê?).
Logo vi que não possuía remetente, apenas meu nome escrito com uma caligrafia muito trêmula. Não tive coragem de abrir a carta, me apressei e fui logo ao escritório onde trabalhava, afinal já estava atrasado e meu chefe, que carinhosamente apelidei de João, deveria estar uma fera.
Fato, meu querido chefe João estava na porta do prédio com um olhar furioso, pelo jeito que estava, se me visse era capaz de me mandar embora ali mesmo. Do estacionamento, segui para a janela da sala do zelador, não era muito grande, mas podia passar por ela tranqüilamente, e foi o que fiz.
Chegando em minha mesa, finalmente relaxei, fui pegar um café e me acomodar para receber os e-mails, aliás, quão desligado eu sou, nem me apresentei pra vocês. Me chamo Roberto, Beto, Betão, o que preferirem, e trabalho como revisor em uma grande editora.
Após alguns e-mails, percebi algo pesado em meu bolso e lembrei da bendita carta, a princípio fiquei encabulado e abri-la em minha mesa e corri para o fumódromo, aliás, meu único vício é dar umas boas baforadas em meu cachimbo de vez em quando.
Estava vazio, e eu poderia ter um pouco de privacidade, mas antes de abri-la, tentei descobrir quem poderia ter me enviado, afinal não tinha muitos amigos, a não ser os virtuais e minha família morava no interior. Ao começar a abrir a carta, ouvi barulho no corredor e notei que o chefe João me procurava, infelizmente, a carta tinha que ficar para depois.
Fui de encontro a João, que já chegou todo irritado, me dizendo alguns impropérios que não vale a pena repetir. É claro que não deixei por menos e respondi a altura de tais “elogios”. Foi uma cena clássica, que espantou até a mim mesmo, e que me custou um emprego que gostava muito e que tinha feito alguns grandes amigos, como a garrafa de café e o meu micro, mas assim é a vida e devemos olhar para o futuro, sempre.
Como já era quase hora do almoço, me dirigi a um bar, daqueles “podrão” do centro. Chegando lá pedi o tradicional comercial com bife, salada e fritas, e uma dose de cognac para acompanhar. Durante minha espera pela refeição, uma reportagem do noticiário me chamou a atenção, acho que matérias sensacionalistas me atraem: assassinatos, acidentes, desastres sempre estiveram na lista dos “10 mais”.
Essa matéria acho eu, me chamou atenção por se tratar de um caso de suicídio, ocorrido no meu bairro (descobri depois que fora no meu prédio). Em dado momento, parece que tive um espasmo e comecei a colocar os pingos nos is: hoje de manhã, recebi essa misteriosa carta, que nem sei o que há nela; perdi meu emprego, após uma briga com o Joãozinho; ontem, notei um carro com pessoas estranhas rodeando o meu prédio…
Por sinal, não havia aberto a carta ainda e abri-la ali seria muito perigoso, pois poderia haver alguma relação com aquele suicídio. Corri para o banheiro, onde poderia ter um pouco de privacidade, sentei-me no vaso e puxei a carta do bolso, notei um certo tumulto do lado de fora do banheiro, barulho de mesas caindo e sinal de briga.
Sem pestanejar, fugi daquele local fétido, me importando apenas em não ser visto por aquelas pessoas tão estranhas e muito bem vestidas. Já em um local aparentemente seguro, e ainda com fome, pensei em chamar a polícia; não sei o que aconteceu, mas não tive coragem em procurar um orelhão. Agora pensava apenas em trocar minhas roupas (que estavam horríveis) e talvez procurar alguns conhecidos que poderiam me ajudar.
Perambulei pelas ruas do centro com essa dúvida na cabeça não sei por quanto tempo, até me esqueci que ainda estava com roupas sujas e com muita fome. Decidi entrar em um hotel, do tipo daqueles em que as prostitutas e travestis costumam fazer seus programas; pelo menos por esta noite eu estaria protegido.
No balcão estava uma mulher muito velha e feia, mas o que me chamou atenção foi a decoração do local: pelas paredes haviam várias fotos de prostitutas e travestis, algumas até estavam circulando pelo hall do hotel e não demorei em reconhecê-las (los). “_ Ei você! Nunca viu?” Foi o que ouvi da mulher, sem tempo para responder, quase num segundo ela muda de feições e diz: “_ São minhas filhas… Elas não são lindas?”
“_Quero um quarto, pra passar a noite!” – disse a ela, que me fitou por uns instantes e depois me deu a chave, pedindo para uma prostituta me acompanhar ao quarto. Ela era muito comunicativa, me falando sobre os mais variados assuntos, que sinceramente nem dei muita atenção, o que queria mesmo era um bom banho, roupas limpas e descanso, mas fiquei sabendo alguns dias depois, que essa noite foi muito longa…
Após um longo banho, procurei dormir um pouco, para tentar relaxar. Rolei por mais ou menos meia hora, envolto em pensamentos dos mais estranhos possíveis: pensei no caso do suicídio, em João, nas putas e putos do saguão, enfim lembrei que ainda não tinha aberto a carta e que poderia, quem sabe, abri-la ali mesmo.
Procurei a carta e a encontrei no meio de minhas roupas sujas, estava toda amassada, e já começava a rasgar no canto. Continuei por aquele rasgo até a metade da carta quando ouvi batidas na porta. Rapidamente escondi a carta e pedi que entrasse, quem quer que fosse a pessoa e, me arrependi muito por não ter me preparado melhor.
A última coisa que me lembro era a cena de dois homens magros, com roupas e óculos escuros, entrando pelo quarto e me perguntando uma série de coisas que nem fazia idéia.
Agora estou aqui, nesta sala escura, todo amarrado, com dores horríveis pelo corpo todo. Ainda mais sem saber o porque de tudo isso.
Notei que em algum canto estavam aquelas estranhas pessoas, estava muito escuro e não consegui reconhecê-las. Em dado momento, notei que elas vinham em minha direção e vi também que tinha mais pessoas com elas.
Fui questionado sobre o conteúdo da carta, onde disse que não sabia e eles não acreditaram e foram pegar a carta, que estava praticamente destruída. Vi que já tinha sido aberta.
Outra pessoa veio com uma folha toda amassada lendo o seguinte: “Essa carta, destinada somente a você, contém um segredo que pode mudar toda a nossa existência, se você a lê, é porque não estou mais nessa missão, mas, repito, somente você pode terminá-la e tem que seguir as instruções que estão aqui…”
Lembrei que se tratava da pessoa do suicídio, mas nem tive tempo de refletir sobre isso e já tomei um soco, ouvindo em seguida: “Quais são essas instruções, nos diga ou será pior!” Disse novamente que não sabia e que tudo não passou de um engano, que estavam com a pessoa errada.
“… Primeiro, você deve seguir até o prédio 69 e dizer a senha ao porteiro…” Ouvi logo depois, e lembrei de um tal 69 no meu bairro – era um prédio abandonado que antigamente era uma fábrica de máquinas industriais. “… O porteiro deve te levar até a sala do chefe, que te passará as instruções seguintes…” Agora complicou de vez, como eu iria ter essas instruções? Quem eram aquelas pessoas, e o que queriam comigo?
Em algum momento, senti algo frio penetrando meu corpo, com uma facilidade tremenda. Me senti como um pote de manteiga no exato momento em que é colocada a faca…
Neste momento, vi meu mundo ser destruído. Tudo o que eu não tinha, as pessoas que não conheci, os lugares que não frequentei, as mulheres que não tive… Quando tudo se apagou, ouvi uma última frase: “Acabou, o serviço está feito… Vamos embora!”
Considerações finais: O Sr. Roberto Guedes foi assassinado com 12 facadas em lugares diferentes do corpo. Não se sabe ao certo o motivo de tal atitude, mas supõe-se que esteja envolvido com a máfia. Ele tinha 26 anos…
Nós do corpo policial de São Paulo, não temos mais nada a dizer sobre esse caso.
Fim.


