Vivendocidade


Quem está do outro lado do cabo (de rede)
Quinta-feira, 31 Julho 2008, 4:23 pm
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Provavelmente devo ser a pessoa mais idiota do mundo, não sei.
Posso fazer essa afirmação não só pelas cacetadas que a vida teima em oferecer, mas também por situações, como essa que vou narrar:
Eis que recebo no meu e-mail particular uma mensagem de um desconhecido, informando que eu precisava imprimir e pagar o boleto anexo, cerca de R$ 900,00. Que se tratava de uma negociação com uma tal empresa ou algo do tipo.
Até aí, uma pessoa mais atenta tem duas opções: supor que seja spam e deletar a mensagem, ou responder a mesma, informando que se tratou de um equívoco coisa e tal.
Eu sou muito criterioso com esses assuntos, mas também sei a dificuldade que algumas pessoas têm de digitar e-mails parecidos, ainda mais porque o GMail não reconhece caracteres especiais, como ponto, traço e similares.
Então, nada mais correto do que responder ao rementente, coisa que fiz depois do recebimento.
Segue a mensagem recebida:

From: <remetente>
Date: 2008/6/30
Subject: Boletos
To: Carlos Correa

negociação Claro / Hidrovector Bombas e Equip. ltda

———- Forwarded message ———-
From: <deletado>
Date: 2008/6/30
Subject: Boletos
To:<remetente>

Conforme contato telefônico, estamos lhe enviando um Boleto Bancário para pagamento Claro.

Caso o(a) Sr(a) tenha alguma dúvida tratar com: <deletado>, através no número: <deletado> (de um telefone fixo), ou <deletado> (de qualquer telefone)

Cliente: HIDROVECTOR BOMBAS E EQUIPAMENTOS LTDA
Código: 432818 – AT
Acordo: 140288
Parcela: 2/10

E a minha resposta:

From: Carlos Correa
Date: 2008/6/30
Subject: Boletos
To:<remetente>

Olá,

Provavelmente eu não sou a pessoa destinatária deste email… Por favor veja se digitou o endereço corretamente.

Grato
carlos

Acontece que normalmente não recebo resposta, se realmente for erro de digitação, as pessoas simplesmente ignoram. Não costumo receber agradecimentos. E nem preciso.
Só que dessa vez, o remetente insistiu no erro, como podem ver:

From: <rementente>
Date: 2008/6/30
Subject: Boletos
To: Carlos Correa

Sobre o assunto da Claro , do agente <deletado>

E minha resposta, agora não tão formal ou simpática (como deveria de ser…):

From: Carlos Correa
Date: 2008/6/30
Subject: Boletos
To:<remetente>

Vou tentar de novo…

Eu não te conheço, não faço idéia de quem seja <deletado>. Muito menos sei que empresa é essa tal de Hidrovector, e não sei do que se trata o assunto da Claro.

Presta atenção que estou fazendo a gentileza de te informar que você está digitando o endereço de email errado.

Provavelmente deve ser um parecido.

Só que eu não esperava nunca, essa resposta:

From: <remetente>
Date: 2008/6/30
Subject: Boletos
To: Carlos Correa

Desculpa amigo , eu sou cego , uso em brailer

Essa pessoa provavelmente está usando este equipamento ou algum parecido.
Não tive coragem para mais uma réplica…



Quinta-feira, 31 Julho 2008, 12:33 pm
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Eu poderia escrever muitas coisas neste momento. Muitas delas apenas para satisfazer uma vontade, um desejo, ou desilusão.

Mas não vou fazê-lo.

Tem certas coisas que prefiro guardar apenas para mim.



Dia mundial do orgasmo
Quinta-feira, 31 Julho 2008, 9:39 am
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Desejo que todos vocês tenham momentos sórdidos, recheados de palavras sussurradas e repetidas no pé do ouvido.

E para comemorar esse dia, algumas palavras e frases soltas…


Uma pegada de jeito pelos braços,
mostrando quem tem o controle.
A capacidade de poder provocar as maiores sensações
simplesmente pela forma de olhar.

Quando passar ao seu lado acabarei encostando em ti.
E vai saber que não foi ao acaso
Vai querer fazer o mesmo.
Não vou deixar de propósito.

Proporei um jogo novo
Onde será privada de todo o prazer
Ao mesmo tempo em que vou te instigar
Ah se vou!

Mesmo que me implore,
Mesmo que me bata (de leve),
Esconderei seus brinquedos e mostrarei minhas armas.
E a maior delas será a palavra.

Pois “a partir de hoje,
toda vez que for para a casa,
quero te encontrar vestida de empregadinha,

de quatro,

esfregando

o

chão…”

Dedicado à nossa história de amor.

Já cometeu seu Pequeno Delito de hoje? (NSFW)



Quer um amigo? Encontre-o aqui!
Terça-feira, 29 Julho 2008, 4:45 pm
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Olhe que fofo…

Você seria capaz de maltratá-lo até que ele fique assim? (não clique aqui)

Pois é, alguns semoventes têm essa coragem e fazem isso todos os dias, até mesmo nesta hora que lê este artigo, em algum lugar algum animal está sendo maltratado, entenda maltratado como sendo da pior forma possível.

Por isso, apoiando a iniciativa da Alê, do Minha Caixinha de Pandora, e seu maridão, estou a divulgar a doação de 2 cães encontrados por eles.

Você quer um amigo? Encontre-aqui! Prometo que vai se surpreender…

As fotos eu achei na net, aqui e aqui.



Pensando bem
Terça-feira, 29 Julho 2008, 4:16 pm
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Definitivamente as coisas seriam muito diferentes se conseguíssemos multiplicar os poucos amigos que temos em muitas pessoas.

Assim teríamos uma multidão de…

Pensando bem, acho que se fosse assim, seria tudo muito chato.



Terça-feira, 29 Julho 2008, 8:01 am
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Convivência

Conviver com outras pessoas é estranho, e quando esta convivência é forçada, acho que fica pior. Muitas vezes essa ansiedade toda que surge deveria ser posta em algo que valha a pena, como disse, pessoas quando vistas de perto, valem pouco ou nada.

Mariposa

Lembrei dessa estória, de que as mariposas estão no topo do reino animal, pois possuem suas línguas muito compridas em forma de caracol. Quando vão se alimentar, ou simplesmente gastar o tempo, com elas conseguem ir ao fundo da flor, onde dizem que o mel é mais gostoso.

Elas são legais, sem saber vão sempre ao fundo das coisas…

Café

Eu faço café todos os dias, na cafeteira elétrica. Só que eu mesmo não bebo o que faço. Digo que estou parando com as drogas…



Nome Próprio: Você é apenas uma sombra de você mesmo
Sábado, 26 Julho 2008, 9:13 am
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Ontem assisti à sessão de Nome Próprio na sala 3 do Espaço Unibanco, e a verdade é que as sensações foram tantas que foi difícil não escrever ali mesmo, durante os créditos. Pois de fato, assistir a esse filme é uma experiência extensa.

Como é seu mundo quando você tem apenas a sua imagem?

O filme, que é baseado nos escritos de Clarah Averbuck, na interpretação de Leandra Leal, com participações de Juliano Cazarré, Rosane Mulholland e Milhem Cortaz, sob a direção de Murilo Salles (Nunca Fomos Tão Felizes e Como Nascem Os Anjos), nos traz uma São Paulo solitária e ao mesmo tempo cinza, sempre aos olhos da personagem, mas também como acompanhante desta.

Talvez por conhecer bem este mundo do filme, não tive problemas em transferir algumas realidades da tela para alguma experiência pessoal, entretanto imagino que a experiência de um telespectador que não sabe como essa terra sem lei – que é a internet funciona, por ver no filme, mais uma estória da menina que sai do interior e ver chorar escondido na metrópole.

Nome Próprio não é isso, é sim uma viagem distópica em busca de você mesmo dentro deste mundo. Que sim é cruel, que traz prazeres momentâneos e superficiais, e a relação do que você faz, ou melhor, como você se insere neste mundo. Neste caso, através das personagens (quem também se lembrou dos inúmeros perfis de orkut, facebook, myspace, e similares?)

Estamos como nascemos, e não temos nada

É importante ressaltar neste filme, o meio ambiente que a personagem Camila vive, e também como ela mesma vive. O primeiro, quase sempre vazio, de poucos pertences que ela mesma vai deixando pra trás ao longo do filme, restando apenas seu computador, como um portal de acesso ao novo mundo onde tudo aquilo pode ser diferente, só que ela neste mundo, está nua.

E é assim que produz seus melhores trabalhos, sem máscaras, ou regras impostas, incapaz de escolher onde quer estar ou o que quer ser. Aqui, somente o hoje é importante.

Se você espera um filme comum, de uma estória idem, não vá ao cinema. Nome Próprio é a estória da transformação do ser urbano para o ser cibernético, só que nos mostra da forma mais dura possível.


Ficha Técnica
Título Original: Nome Próprio
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 130 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Site Oficial: www.nomeproprioofilme.com.br
Estúdio: Cinema Brasil Digital
Distribuição: Downtown Filmes
Direção: Murilo Salles
Roteiro: Elena Soarez, Murilo Salles e Melanie Dimantas, baseado nos livros “Máquina de Pinball” e “Vida de Gato”, de Clarah Averbuck, e em textos publicados pela autora em seu blog pessoal
Produção: Flávio Frederico, Suzana Villas Boas e Lionel Combecau
Música: Sacha Amback
Fotografia: Fernanda Riscali e Murilo Salles
Direção de Arte: Pedro Paulo de Souza
Figurino: Mariana Pamplona Iavelberg
Edição: Vânia Debs



The doctor is [in]
Quinta-feira, 17 Julho 2008, 9:45 am
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Há alguns meses, criamos uma seção no blog chamada “Consultório Sentimental”, destinada a perguntas e respostas dos leitores e amigos, na qual recebo todo o tipo de indagação, dúvida, conselho e na medida do possível, vamos respondendo.

Hoje, publicamos o comentário da Flor.

Faça como ela! basta mandar um comentário lá na página (aí à esquerda) ou mandar um email para vivendocidade [em] gmail.com

Obrigado, Charles Schulz



Inciante na cozinha: Empadão de Frango
Terça-feira, 8 Julho 2008, 7:36 pm
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Empadão

Empadão

Como estou de férias do trabalho, acabo procurando coisas para fazer em casa para passar o tempo. Hoje por exemplo sugeri para minha mãe que fizéssemos um empadão de frango.

Depois de uma busca básica pela internet, conseguimos uma receita simples, a qual fomos adaptando à medida do andamento do trabalho.

Recheio

A gosto, na experiência que fizemos, usamos frango desfiado com alguns tomates e ervilhas, azeitonas, cebola e tempero refogado a critério do cliente (sic).

Massa

Ingredientes:

3 gemas
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de azeite
3 xícaras de farinha de trigo
3 colheres de margarina

Modo de preparo

Misturar todos os ingredientes até soltar das mãos;
Colocar a massa na fôrma e ir espalhando até obter uma distribuição uniforme;
Após esfriar o recheio, coloque na massa e distribua bem;

Lembrete: para a “tampa”, sugeri os mesmos ingredientes e quantidades acima. E ficou ótimo!

Abrimos a massa em um plástico e depois cobrimos toda a composição anterior.

Você também pode untar com um pincel e gema por cima da massa fechada, para que fique dourado, parecido com as empadas de padaria.

Minha mãe também sugeriu a adição de cheiro verde, tanto no recheio, como na fôrma, no abrir da massa.

Assar tudo em forno por aproximadamente 30 a 40 minutos, dependendo do calor que tiver aí.

O rendimento aproximado foi de 10 porções.



Souffrance à la Tablette
Quinta-feira, 3 Julho 2008, 4:31 pm
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Escrevi este texto em cerca de 10 ou 15 minutos, num dia de julho de 2002.

Acho que nesse dia tinha estourado algum, dos muitos problemas, que aconteceram naquela época no meu antigo emprego. Lembro que me sentava em frente ao Cláudio, que é meu amigo até hoje, e conversávamos algo que já me esqueci. Ele quem me incentivou a escrever este microconto, só não sabia do tema…


SOUFFRANCE À LA TABLETTE

As últimas horas de meu tumultuado velório, e posterior enterro foram estranhas, a começar pela falta de sentimentos que os presentes estavam demonstrando sobre meu corpo, este nem estava posto em um caixão, mas em um caixote, daqueles usados em feiras livres, mas de tamanho maior, de forma que se adaptasse quase perfeitamente ao meu corpo. Entendo que a situação financeira de minha família fosse pequena, mas bem que poderiam fazem mais algumas dívidas e me dar um fim de vida um pouco mais decente…

Tudo bem, eu não fui mesmo uma pessoa boa em vida, e talvez aquilo tudo se justificasse, no fundo percebi que somente alguns vagabundos, com quem passei meus últimos dias, sentiam minha falta. A dor escrita por extenso em seus rostos marcados pelo sofrimento de suas vidas talvez fosse a única maneira de expressarem seus sentimentos e emoções, e era suficiente.

Enquanto tentava perceber tudo isso, nem notei quando um de meus “queridos” parentes tirava uma caneta e um papel do bolso, demonstrando um certo desconforto e começou a preparar o que seria meu epitáfio, já que uma outra pessoa com formão e marreta em mãos esperava pelo papel ansiosamente. Durante esses acontecimentos todos, nem percebi que tinha voltado no tempo e revi minha infância, fazendo as mesmas estripulias de sempre e minha mãe correndo com a chaleira do café para me bater…

Não sei se fiquei feliz, ou triste, só sei que ao rever aquele pequeno mundo, percebi quanto era importante os nossos jogos com bola de meia, bolinhas de gude, pião, soltar pipas, beijar as meninas, caçar grilos… Aquelas amizades tinham um valor muito grande, e com o tempo nem notei, mas elas tinham sumido. Por isso minha surpresa ao rever essas lembranças e um certo desconforto ao senti-las.

Permaneci em silêncio, tentando manter aquele momento imaculado, único. Vi meu pai chegando do serviço, cansado de seu longo dia, mas com ânimo suficiente para chegar em casa e não preocupar ninguém, tentando se mostrar sempre como indestrutível ou perfeito. De súbito, tive um outro “salto” pela minha vida e cheguei a uma época que reconheci como sendo minha juventude, já que eu estava com uma aparência um pouco gasta e marcada, e também porque me situei dentro do colégio.

Revi os antigos professores, inspetores e todos aqueles a quem desprezava. As pessoas de meu convívio nada me valiam, era apenas o início do que chamarei de lenta decadência…

Vi também as pessoas de minha turma, loucas como sempre, correndo atrás das gatas e no meio delas vi meu primeiro e único amor que já tive em toda vida. Nesse momento de minha “viagem” tive o ápice: chorando feito louco ao ver aquele rosto novamente que retornava cada vez menos dentro de mim. Tentei falar com ela, como se isso fosse possível, gritei, corri, só para dizer o quanto sentia por tê-la feito sofrer, por acabar com a vida dela para sempre, falar com ela o quanto era importante, o quanto precisava dela, de seu sorriso e olhar, mas sabia que ela não me ouviria.

Comecei a perceber o quanto minha vida tinha sido vazia e sem sentido, não tinha amigos e aqueles que se atreveram a fazê-lo sofreram sérias reações. Certamente, isso iria me ajudar a chegar onde cheguei, além do fundo do poço, porque o fundo era uma coisa boa e isso eu não merecia.

Minha lenta decadência estava em auge; deixei o colégio e como todos os jovens de minha época, fui arrumar um emprego. A partir daí tudo aconteceu muito confuso e rápido, os empregos por onde passei, tudo o que tentei conseguir em minha vida, tudo o que perdi e acabei chegando à sarjeta, que a partir daí se tornou meu novo lar.

Talvez, todos sabemos o que aconteceu: uma coisa chamou outra e cada vez mais eu me destruía. Vivi assim até meus últimos instantes, e pela primeira vez, senti medo. Senti porque não sabia o que estava além, o que aconteceria depois e o que ou quem me esperava.

Não sei ao certo quanto tempo se passou depois, lembro apenas de estar me vendo durante os processos mortuários e tenho a sensação que estive sempre aqui. Lembrei da pessoa que iria escrever minha lápide e corri meus velhos olhos para ela. Ainda não tinha começado seu serviço, mas tinha a mensagem pronta em mãos:

“O tempo passou, e não conseguimos recuperá-lo…
Ele precisou de nós, mas ainda sim o desprezamos.
Não tivemos coragem de falar com ele,
que deve ter ficado muito triste…
Só quero que todos saibam que foi perdoado.
E que o amamos muito, para sempre…”

Ao ver aquelas palavras, percebi tudo e me odiei por não poder dizer que os amava…

Fim.