Certa vez, me perguntaram se eu conseguia escrever poesias sobre qualquer assunto. Respondi que sim, talvez.
Mas até então nunca tinha escrito nada, até que me lembrei disso recentemente.
Durante o Fantástico, no último final de semana, escolhi algumas palavras (aroma, caju, castanha, chulé, cor, olhos, pé e ressaca), e o resultado foi:
“Pueril”
CHULÉ no pé de cAJu De cASTANHA É UMA COR DOS SEUS OLHOS DE RESSACA DE AROMA DE CHULÉ…
Arquivado em: Vídeo | Tags: curiosidade, doritos, escócia, gaivota, humor
Quem me conhece, sabe que o único salgado que como porque realmente gosto é o Doritos.
Comecei este vício lá na época em que só existia o sabor original (que nem tinha este nome), sobrevivi ao continuum temporal quando pararam de fabricar, fiquei excitado quando voltaram com a variedade de sabores (passei a gostar mais do pizza), e hoje sempre que posso, me contento com o sabor nacho…
Acabei de receber este e-mail, e percebi que desejo com todas as minhas forças ter esta ave, hehe.
O texto original:

Uma gaivota na Escócia desenvolveu o hábito de roubar “Chips” de uma loja. Ela espera o atendente se distrair, entra na loja e agarra um pacotinho de “Doritos Queijo”. Lá fora, o pacote é rasgado e ela divide com os outros pássaros. O episódio começou no início do mês quando ela entrou pela primeira vez na loja em Aberdeen, Escócia. Desde então, ela é um “cliente” assíduo. Sempre pega o mesmo tipo de salgadinho.
Os clientes começaram a pagar pelos pacotinhos roubados por acharem o fato muito engraçado.
Prestem atenção na diferença na velocidade dela quando entra na loja e depois quando sai, já com o objeto do roubo . Hilário!
Como recebi por e-mail, veio sem fonte, mas pelo Technorati, existem até agora – apenas – 7 referências
Arquivado em: Literatura | Tags: areia, desejos, desilusões, dois sóis, fada, introspectivo, onírico, sonho, sonhos

Uma vez eu sonhei que o mundo não era redondo
Pensei e pensei, sem alguma solução.
Talvez quadrado, ou mesmo dentro de um forno
Tudo era confuso, sem nenhuma explicação.
As pessoas não se importavam,
Ou pelo menos fingiam que não.
Algumas delas oravam
E outras ficavam então.
Foi aí que te vi
Foi pelo que senti
E tudo teve uma explicação.
Não me importa mais o mundo não
Pois aquilo que sonhei
Agora, encontrei solução.
Arquivado em: Opinião | Tags: discussão, emo, emo day, miguxês, movimento, perguntas, personalidade, princípios, resposta, respostas, simpatizante, stress
Ultimamente, em virtude do Emo Day, tenho recebido muitas visitas de amigos e simpatizantes desse grupo.
Sempre tive por premissa que cada pessoa pode (e deve) fazer ou ser o que lhe convier, uma vez que pelo menos em tese, vivemos em um Estado democrático.
Só que tudo o que recebi de argumento contra o post, que diga-se de passagem, foi uma sátira (1), foram apenas reclamações sem sentido ou nada que valha a pena sequer dar atenção. Tanto que aprovei todos os comentários sem fazer seleção alguma.
Para não falarem que sou um féladamãe insensível, você que é emo, ou simpatizante ou defensor árduo da causa, entre em contato comigo.
Escreva (em bom português por favor, e não na merda do miguxês) sobre o que o movimento é, o que procura, de onde surgiram, quais foram/são suas influências, e tudo o mais que julgar necessário para que componha um bom direito de resposta. E mais importante: se identifique, assuma os riscos de tal!
Pois é, se não entendeu ainda, mula, é esse a causa/objetivo deste post.
Seja inteligente, afinal de contas, esta é uma tentativa para que vocês sejam ouvidos. Quem sabe assim não saiam do gueto?
(1) Eu satirizo mesmo, e não é por diversão ou maldade. Assim como todos os movimentos auto intitulados, entenda aqui comunismo, anarquismo, todos os ismos, similares e afins, é importante que ao menos quem participa do grupo saiba o que se defende.
Quem se auto intitula EMO, a meu ver, e de muitos colegas do meio acadêmico (na qual faço parte), sequer entende a si mesmo.
Infelizmente, e posso dizer sem remorso algum, 123% dos emos que conheci/conversei/tentei/etc. não sabem nem falar (ou escrever) no mesmo idioma que eu.
Arquivado em: Vídeo | Tags: hotel chevalier, jason schwartzman, legenda, natalie portman, wes anderson
(Quase) Todo mundo já viu, já comentou e tudo o mais…

Porém, o que eu AINDA não vi foi alguém comentar do mesmo no que se refere à sua tradução/legendagem em português.Eu por um acaso achei a legenda em inglês no Google, e como é curtinha, traduzi.
Não tenho o filme legendável aqui (só em casa, e mesmo assim, é a versão oficial que comprei na iTS), tampouco pude testar para ver se está sincronizada, etc.
Mas para quem entende o mínimo de legendagem, acho que vai ajudar.
Não se esqueçam que este curta é o prelúdio para o filme “The Darjeeling Limited”; e a música que toca é a “Where Do You Go To (My Lovely)” de Peter Sarstedt, lançada em 1969 no álbum de mesmo nome.
Baixe a legenda aqui: (Rapidshare)
Arquivado em: Artigo | Tags: cidade dos sonhos, david lynch, filme, mulholland drive, resenha
Recentemente, conheci o filme Cidade dos Sonhos, comprei o DVD e posso dizer apenas que é um filme denso, daqueles que te deixam paranóico por uns dias (eu fiquei com medo do escuro e a todo momento imaginava que tinha alguém me seguindo). É praticamente impossível entendê-lo com apenas uma assistida, e a cada vez que se assiste, temos (ou tentamos ter) uma visão diferente daquela que imaginávamos ter tido.
É basicamente uma estória de amor em Los Angeles, cidade do sonhos e meca do cinema norte-americano; mas também é muito mais, é a visão de seu maior pesadelo, é a certeza que tudo algumas vezes pode ser nada, e o inverso…
Para aqueles que já assistiram, e como eu ficaram com o cérebro colado no teto, segue uma resenha feita pelo Carlos “Amerika” Carreira, na qual teve a gentileza de me autorizar na íntegra. Ele não comentou da publicação do seu e-mail, portanto caso for necessário, faço a ponte dos comentários e mensagens à ele (spoilers para quem ainda não viu):
CIDADE DOS SONHOS: O AMOR DA MULHER É UM BEIJO NO ESPELHO
Por Carlos AKA “Amerika” Carreira
Todas as interpretações que encontrei de Mulholland Drive (MD) consistem aproximadamente no seguinte: os primeiros 2/3 do filme são o sonho de Betty, alter-ego de Diane moribunda física e/ou psicologicamente; o último terço é a Realidade das vidas de Diane e Camilla. Concordo basicamente com a divisão, mas não com a interpretação da primeira parte.É preciso ter presente o universo lynchiano: metafórico, onírico, alucinatório, barroco, católico, emocional, povoado de anjos e demônios mais ou menos inconscientes, internos e manipulativos, perversões, culpas, recalcamentos, purgatórios e redenções.Em MD, David Lynch usa, entre muitas outras, duas “peças” metafóricas: a chave e o cubo, ambos azuis (o azul tem também significado metafórico e emocional ao longo de todo o filme, tal como a sua restante paleta de cores): as chaves azuis “são” a MORTE (a morte física no caso da chave real que o assassino contratado usa como sinal; a morte potencial, metafórica ou real, no caso da chave azul estilizada que Camilla acha na mala.
Esta “morte” pode também ser entendida como a “key” para mudar radicalmente de… Vida; talvez no sentido de mudança fundamental que a carta da Morte encerra no Tarô. Quanto ao cubo, ele tem dois óbvios estados possíveis: fechado é o MISTÉRIO (o profundo mistério do significado da vida, o insondável, o incompreensível); aberto é a REVELAÇÃO. A associação é também óbvia: só a chave da MORTE permite a REVELAÇÃO do MISTÉRIO…
Interpretar a primeira parte do filme como um sonho de Diane é dar a esta personagem todo o protagonismo. Camilla ficaria resumida a uma imagem de Diane e todo o filme seria basicamente a história de Diane. Ora em toda a aura de marketing que rodeia o filme bem como no que resulta do seu visionamento linear, transparece a história de duas mulheres, duas faces da mesma moeda, a loura e a morena, siamesas na obscuridade do enredo.
Assim e equilibrando a equação, proponho a seguinte interpretação:
Destroçada, transtornada e em desespero total, Diane compra o assassinato da sua amada Camilla. O mecanismo demoníaco da morte é acionado através dos seus executores físicos, psicológicos, mentais e surreais (não cabe aqui essa análise). A limusine preta desliza (de fato, na realidade!), ao longo da tortuosa e sinistra e perigosa estrada das colinas sobranceiras a Hollywood, donde se avista a espaços o Valley (a gigantesca planície de malha urbana e suburbana a que se pode vagamente chamar LA).
Esta estrada é de fato perigosa e os acidentes acontecem. O eminente assassinato de Camilla fracassa súbita e inesperadamente devido ao tremendo embate do carro de adolescentes em corrida delirante. Ferida, transtornada e em choque, ela desce pelos arbustos da encosta e refugia-se numa casa que (aparentemente) a única residente está a abandonar durante algum tempo, como se fosse de viagem.
Amnésica e traumatizada em todos os sentidos, Camilla adormece ou alucina. A HISTÓRIA QUE SE SEGUE PODE MUITO BEM SER O SONHO/ALUCINAÇÃO de Camilla. É algo especulativo a partir daqui, e até a parte “real” do filme, discernir o que é alucinação e sonho do que é realidade no percurso de Camilla e das outras linhas narrativas que estão em movimento: o realizador, o assassino, etc.
Todos os argumentos sobre o enredo de estranhos personagens no suposto sonho à beira do fim de Diane são igualmente válidos para Camilla. Elas eram amantes e colegas, partilharam as vidas, os passados, as histórias, logo as personagens cabem perfeitamente na alucinação de Camilla.
Mas e Betty/Diane? Como se ajusta aqui?
Na perfeição. Betty é um anjo lynchiano típico, o anjo perfeito da amnésica Rita (Camilla sem identidade). Betty é linda demais, amiga demais, amante demais, maternal demais para ser outra coisa que não um anjo na lenta recuperação de Camilla. É com o seu anjo da guarda que Camilla vai viver e falar, ser apoiada e receber a energia e iniciativa que não tem. Não é perfeito que a idealização angélica de Camilla seja precisamente a Diane que existe nas profundezas da sua memória, a amante que a amou acima de todas as coisas, a Diane ainda pura e “canadense” do início do seu relacionamento?
Não é perfeito que Camilla “crie” o anjo que a protege da culpa de ter mais ou menos voluntariamente destroçado a sua amada Diane através dos seus outros amores que só conhecemos na parte final? Não é perfeito que assim sendo não haja uma dicotomia entre duas entidades físicas Betty/Rita mas sim uma unidade: Camilla amnésica e seu anjo da guarda Betty são/estão na mesma pessoa.
Esta interpretação permite “dar realidade” a muitos mais acontecimentos, ou, pelo menos, a deixar ao critério pessoal essa assunção: a rede assassina anda de fato preocupada com o desaparecimento da marcada para matar; é para o telefone de Diane que é passada palavra de que a rapariga está desaparecida, mas ninguém atende, pois Diane já se suicidou pensando que Camilla morreu, pois recebeu erradamente a chave-sinal (isto é shakespeariano).
É, no mínimo, genial que a alma liberta da suicida Diane voe para ser o anjo de Camilla; se é Camilla que sonha o episódio da escolha da protagonista do filme de Adam é natural que nome e foto não correspondam, pois Camilla amnésica não sabe quem é Camilla; além disso, supondo que as histórias envolvendo Adam são sonhadas (transfiguradas pelo sonho), quem melhor do que a noiva de Adam para ter tido conhecimento do que se passou com o lançamento do filme e a sua vida pessoal; quando das profundezas da memória, Camilla verbaliza o primeiro nome (que é “Diane”), e orientada pelo seu anjo, visita (de fato?) a casa onde se depara com o cadáver que se confunde com um cadáver dela própria (de novo o jogo de espelhos).
Ainda orientada pelo seu anjo, temendo ainda mais pela vida ao ver-se associada aquele cadáver (e o mais que na sua memória profunda lhe lembrasse que tinha sido vítima de uma tentativa de assassinato), Camilla disfarça-se de… Diane (Genial!). Mas Camilla continua amnésica e sem as ferramentas suficientes para entender o sentido de tudo isto. É então que é acometida por uma necessidade vital de ir ao Silêncio de neon azul. Mulher e anjo correm (na realidade?) para este estranho teatro onde se encena a Grande Revelação em fumos azuis. “Não há banda”, mas sim uma fita gravada ao som da qual os atores (todos nós) “sincronizam”; não há nada de novo, nem lugar ao improviso, apenas ajuste efêmero ao som há muito gravado, até a profundíssima paixão da Llorona pré-existia e pós-existe a ela, desfalecida. No fim, apenas o vácuo do silêncio.
Da lição de Silêncio, Camilla e Anjo recebem metaforicamente o cubo azul de que necessita(m) para a revelação pessoal. Correm para casa (e é aqui que encontro a principal “prova” de que este sonho é de Camilla, pois imediatamente antes da revelação, ou seja, a abertura do cubo com a chave respectiva, o Anjo desaparece (desvanece-se?). Já não tem cabimento na verdade de Camilla.
É Camilla quem abre o Cubo, mas para onde ela foi/vai?
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Crie o seu aqui.
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Algumas coisas que aprendi nessa vida louca:
Um: Acordar com uma pessoa estranha é melhor que uma noite sozinho.
Dois: Não vou entrar pra história, mas vou entrar na sua irmã.
Três: Enquanto lá embaixo, seria bom ver alguns pêlos. Não falo de um mato estilo anos 70. Apenas algo que me lembre que estou chupando uma adulta.Mas a grande pergunta é:
“Por que a Cidade dos Anjos está querendo acabar com suas mulheres?”
Californication1 acompanha a vida de Hank Moody (David Duchovny2 – Arquivo X3), um escritor que em seu primeiro livro, alcança o sucesso e uma adaptação para o cinema. Porém há meses não escreve nada, já que perdeu a esposa, e musa, e a relação com sua filha adolescente não é das melhores.
Mas resumir a série em apenas essas linhas acima, seria antes de tudo desrespeitoso, uma vez que aos olhos do personagem, vemos os problemas e os vícios das pessoas e da cidade.
Seja pelo agente que deseja a secretária, mas que não consegue ter uma ereção com a esposa, ou o novo namorado da ex que tenta ser mais que padrasto para sua filha, Hank nos dá um panorama de maneira cruel e hedonista de como as relações entre os sujeitos sociais se dão.
Claro que muitas vezes de formas exageradas, ou visualmente apelativas. O que a meu ver não atrapalha a série, pelo contrário, essa fórmula vem agradando os fãs norte-americanos, e todos aqueles ao redor do mundo afilhados do casal John Torrent e Mary E. Mule (eu não sou contra, porém não ensino como encontrar, e abomino quem lucra com isso; pra mim, o verdadeiro pirateiro).
No Brasil, a série estréia no Warner Channel dia 06/11/2007, e já vem com renovada para uma segunda temporada. Resta saber em que horário será exibida, e se terá alguma censura Será exibida às 22h, e ainda bem que não sofrerá cortes.
Recomendo!
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Meu Gesto
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Meu gesto que destrói
A mole das formigas,
Tomá-lo-ão elas por de um ser divino;
Mas eu não sou divino para mim.
Assim talvez os deuses
Para si o não sejam,
E só de serem do que nós maiores
Tirem o serem deuses para nós.
Seja qual for o certo,
Mesmo para com esses
Que cremos serem deuses, não sejamos
Inteiros numa fé talvez sem causa.
Ricardo Reis (*1887 +1935)
in Odes de Ricardo Reis
Lisboa, Ática, 1946
A poesia de Ricardo Reis, um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa (*1888 +1935), é marcada pela elevação do ser ao estado que (hoje) entendemos como onírico. Em seus textos, tenta iludir o sofrimento resultante da consciência aguda da precariedade da vida.
Em resumo, ele simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, harmonia, um certo bucolismo, com elementos epicuristas e estóicos.
Entretanto, seria muito incompleto falar sobre Pessoa e sua obra em apenas poucas palavras, como é a nossa proposta. Mesmo assim, posso afirmar que sua obra foi influenciada por escritores tais Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros; e é tido por muitos (eu incluso), o maior escritor de língua portuguesa de todos os tempos.
Na sexta passada, falamos de Carlos Drummond de Andrade, e de seu poema “Cota Zero”. Confira!


